Na tentativa de silenciar as criticas ao Governo Dino, Cafeteira demonstra despreparo e desespero.

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O líder do governo de Flávio Dino (PCdoB) na Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Rogério Cafeteira (DEM), mostrou despreparo para a função ao rebater, na sessão dessa segunda-feira 5, críticas feitas pelos deputados Wellington do Curso (PSDB) e Adriano Sarney (PV) à portaria baixada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) que reduz o teto das despesas da pasta com a prestação dos serviços assistências da rede estadual pública do setor.

Publicada no final de outubro último, a medida já está em vigor deste a quinta-feira 1.º, e estabelece o teto de R$ 77.500,00 para a capital e 88.350,00 para o interior, por plantão de 24 horas, para especialidades de ginecologia/obstetrícia, cirurgia geral, clínica médica, anestesiologia, pediatria e ortopedia ficou fixado, para os meses de 31 dias; e de R$ 75.000,00 para a capital e R$ 85.500,00 para o interior, para os meses de 30 dias, para as mesmas especialidades. Em relação a fevereiro, o teto será calculado de forma proporcional ao número de dias de serviços prestados. Já as demais especialidades médicas deverão apresentar redução linear de, no mínimo, 10% sobre os valores até então pactuados.

Sem conhecimento sobre o assunto, Cafeteira tentou mostrar serviço ao governo — sem mandato a partir de janeiro de 2019, ele tenta cavar a unção para uma pasta —, e saiu em defesa do Palácio dos Leões. Em vez de dados técnicos, que pudessem apontar para algum equívoco dos parlamentares oposicionistas, o líder do governo culpou o governo Michel Temer pela redução do teto feita por Dino e deu um tom eleitoral sobre as avaliações negativas à gestão comunista. Para isso, usou a própria derrota nas eleições de outubro, quando foi humilhado nas urnas e teve menos votos dos que nos pleitos anteriores, não conseguindo se reeleger.

“Me causa estranheza alguns deputados mais afoitos chegarem aqui e questionarem, como se houvesse diminuição de salários. Todos sabem que a Emenda 95 restringiu gastos com saúde em todo o Brasil e os grupos que votaram a favor da referida PEC são os mesmos que chegam aqui chamando de golpistas quem venceu democraticamente as eleições, fazendo defesa de presidente eleito, que agora mesmo denunciou que o ex-ministro do Meio Ambiente, o deputado federal Sarney Filho, tinha vendido a Amazônia para organizações internacionais”, disse.

Ainda tentando abafar as críticas ao governo, Cafeteira continuou mudando o foco da discussão usando o vexame que passou nas urnas. “Eu perdi e fiz a minha mea culpa. Todos os que perderam deveriam fazer o mesmo. Muitos não aprendem e têm mania de querer botar suas derrotas, seus insucessos na conta dos outros. Isso é um erro, porque devemos encarar as nossas derrotas de frente”, declarou.

Apesar do líder do governo haver tratado o assunto com tom eleitoral, além dos deputados oposicionistas, diversos médicos que prestam serviços à rede estadual pública de saúde também têm criticado o governador Flávio Dino e o titular da SES, o advogado Carlos Eduardo Lula.

Por meio das redes sociais, o ex-presidente e fundador da Associação dos médicos do Socorrão I e II (AMESS), Érico Cantanhede, reprovou a portaria publicada pela SES. Para ele, além da própria classe médica, a população também deve ser atingida pela medida. “Certamente irá causar prejuízos financeiros para esses profissionais que se deslocam pelas estradas desse estado já tão mal conservadas, sem sinalização, correndo inclusive risco de acidentes e mortes e com o preço do combustível cada vez mais caro, e onde a principal vítima dessa medida será certamente a população que pode inclusive perder alguns serviços que poderão não se manter devido a esse posicionamento da SES”, lamentou.

Até mesmo o coordenador adjunto da Residência Médica de Psiquiatria do Hospital Nina Rodrigues, Hamilton Raposo, entusiasta do governo comunista, mostrou-se contra a portaria da SES. “Estou do seu lado”, disse ele a Érico Cantanhede, sendo elogiado por agir com coerência diante da situação experimentada pela classe, que há cinco anos não tem reajustado os valores dos plantões.

Por Atual 7.

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